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Educação muda vida de mulheres em tratamento contra o uso de drogas

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Há dois meses em tratamento contra o uso desenfreado do crack em uma clínica da capital federal, Genísia Magalhães de 32 anos está ansiosa pela oportunidade de aprender a trabalhar com cabelo, unhas e maquiagem. A adicta em recuperação sente-se pronta para dar a volta por cima e recuperar tudo o que a dependência química lhe fez perder nos últimos 20 anos, quando esteve mergulhada no mundo das drogas.

Genísia é mãe de cinco crianças, mas não criou nenhuma. Com o caçula nos braços, de apenas 4 meses, o desejo dela, agora, é recuperar a relação com os outros filhos.

“Eu pretendo sair daqui sendo uma nova mãe e filha. Esse curso vai ser maravilhoso. Pretendo concluir e sair com o meu certificado porque nunca tive essa oportunidade. Sou muito grata por estar aqui. Eu cheguei no fundo do poço. Aqui [Casa Maria de Magdala], realmente encontrei a solução para a minha vida. Me descobri. Estou no caminho certo e quero transformar o meu mundo longe das drogas”, relatou Genísia.

Genísia Magalhães está em recuperação na Casa Maria de MagdalaHugo Barreto/Metrópoles

Única casa especializada no acolhimento e reabilitação de mulheres com dependência química no Distrito Federal, a comunidade terapêutica Salve a Si Maria de Magdala, localizada na área rural de São Sebastião, oferecerá a partir do próximo mês, em janeiro de 2022, capacitação profissional para as acolhidas que vivem na instituição.

O projeto Empoderamento Feminino

O projeto “Empoderamento Feminino” foi lançado na última quinta-feira (16/12) em parceria com a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus). Serão oferecidos cursos na área de beleza e bem-estar com aulas de 2h de duração, ministradas duas vezes por semana.

A ideia é que essas mulheres saiam da instituição prontas para atuar no mercado de trabalho da beleza. O projeto é financiado com recursos, no valor de R$ 100 mil, de emenda distrital da deputada Júlia Lucy (Novo).

Reintegração

O projeto pretende promover a reinserção social por meio do acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.

“Serão oferecidos cursos de maquiagem, cabelereira, manicure, pedicure e design de sobrancelhas. As aulas começam em janeiro. Queremos coibir a recaída após o tratamento. Para que elas tenham a geração de renda delas através do profissionalismo e, com isso, tenham autonomia com o sentimento de pertencimento à sociedade”, explicou o presidente da ONG Salve a Si Casa Maria de Magdala, Henrique França.

“Muitas delas vieram da situação de rua. Essa oportunidade é muito importante para que tenham o engajamento do empoderamento feminino”, finalizou.

Segundo a secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, além da autonomia financeira, o projeto também visa proporcionar o exercício da cidadania, autoestima e o sentimento de pertencimento social para essas mulheres que estão em busca de um recomeço.

“Na luta para recuperar tudo o que a dependência química tirou delas: a convivência com a família, a autoestima, a saúde e o trabalho. Acreditamos que o acolhimento e a oferta de oportunidades são estratégias essenciais na superação de situações de opressão, violência e de dependência química”, completou.

Perspectivas novas

Jéssica Dias, 31, é uma mulher transexual. Natural de Águas Lindas (GO), ela morava na Rodoviária do Plano Piloto até ser resgatada para a comunidade após pedir ajuda quando percebeu que estava ficando muito debilitada por conta do mundo das drogas.

“Estou aqui desde 5 de dezembro. Pretendo ficar por seis meses e terminar a internação com sucesso. A minha avó disse que se eu concluir esses cursos, ela vai abrir um salão de beleza para eu trabalhar lá em Goiás. Com direito a vitrine de vidro e tudo. É mais um motivo para eu finalizar o tratamento. Só saio daqui limpa e com o diploma em mãos. Vou ter o meu emprego garantido. Estou decidida e vou conseguir”, anima-se Jéssica.

Mayara, 31, é bacharel em direito e está internada há pouco mais de um mês. Ela também está ansiosa com a nova oportunidade. “Eu sou viciada em álcool e isso me fazia usar outras drogas. Estava perdendo a minha família. O meu marido e filhos iriam me deixar. Apesar de não serem cursos voltados à minha especialização, sou vaidosa e estou muito feliz. É uma mola propulsora para que eu saia daqui preparada para lidar com os meus problemas lá fora”, espera.

“É uma causa justa, honesta. Queremos que seja multiplicada no DF. Serão capacitações rápidas. Com habilidades que rapidamente a pessoa aprende e ganha dinheiro com elas. Uma vez que as mulheres saiam daqui, é necessário que elas tenham essa autonomia financeira”, pontuou a parlamentar Júlia Lucy.

Subsecretaria de Enfrentamento às Drogas
A Sejus tem em sua estrutura a Subsecretaria de Enfrentamento às Drogas (Subed), que atua em três eixos: prevenção , acolhimento e reinserção social.

Uma das ações da pasta é a oferta de tratamento para a dependência química, por meio de convênios com 12 comunidades terapêuticas (duas femininas), onde são disponibilizadas 330 vagas mensais para atendimento a dependentes químicos.

Também são realizadas ações de prevenção ao uso de drogas, principalmente com palestras nas escolas do DF.

Todas essas ações estão reunidas no programa Acolhe DF, que já realizou quase 10 mil atendimentos em seis meses desde o seu lançamento.

Fonte: Metropoles.com

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