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Mais da metade dos acidentes de trânsito são causados pelo álcool

Especialistas que trabalham com prevenção, orientação e tratamento de dependentes químicos alertam que o álcool é um dos mais graves problemas sociais

Você sabe o que é “binge drinking” ou “beber em binge”? É o termo utilizado para se referir às pessoas que não têm o hábito de beber, mas que, esporadicamente, bebem em grande quantidade. De acordo com o psicólogo Dionísio Banaszewski, especialista em trabalhos de prevenção, orientação e tratamento de dependentes químicos, essas situações são responsáveis por grande parte dos acidentes de trânsito registrados em todo o país.

Estima-se que, nos finais de semana, pelo menos 400 pessoas morram em acidentes de trânsito no Brasil. Cerca de 60% dessas mortes no trânsito são causadas por imprudência devida ao consumo de bebidas alcoólicas. Para se reduzir esses números, segundo o especialista, é preciso se investir em orientação e informação. Em 2003, quando presidiu o Conselho Regional de Psicologia do Paraná, Dionísio promoveu uma parceria entre o CRP-PR e varas de delito de trânsito para levar orientação a pessoas que estavam sendo julgadas por crimes de trânsito. Em quase a totalidade dos casos analisados, foi constatado que havia consumo de bebidas alcoólicas. Pela relevância do trabalho desenvolvido, o CRP-PR foi condecorado com menção honrosa no Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito.

Dionísio atua junto à Clínica Quinta do Sol, em Curitiba. A Clínica é pioneira no tratamento de alcoolismo e outras drogas fora de instituição psiquiátrica e há mais de 30 anos se dedica ao trabalho. De acordo com o diretor da Quinta do Sol, o médico José Carlos Vasconcelos, em todos esses anos foi possível perceber o crescimento assustador do uso social do álcool e seus efeitos nocivos. “Mas quando se leva informação às pessoas, o comportamento muda”, garante o médico.

Dionísio Banaszewski e José Carlos Vasconcelos criticam a impunidade em relação aos crimes de trânsito no Brasil. Na maioria das vezes, os causadores de acidentes pagam fianças e permanecem em liberdade. Mesmo nos casos de maior visibilidade, em que a sociedade toma conhecimento e manifesta indignação, as histórias raramente terminam em punição exemplar, como prisão dos criminosos, por exemplo. “É preciso fazer uma soma de trabalhos nas mais diferentes frentes, desde a prevenção até a punição”, diz José Carlos. “Defendo a educação continuada, que envolve orientação, fiscalização e punição nos casos de crimes”, acrescenta Dionísio.

Um exemplo negativo, segundo os especialistas, é o fato de a lei permitir que os motoristas se neguem a fazer o exame do bafômetro. “Quem não deve não teme. O bafômetro pode ser uma defesa para quem não ingeriu bebidas alcoólicas, uma prova a seu favor. Mesmo que os policiais tenham a chance de apontar outros indícios de que o sujeito consumiu álcool”, argumenta o psicólogo Dionísio, defendendo mudanças na lei.

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